sexta-feira, 24 de setembro de 2010

O Que é Biotecnologia?
Biotecnologia é o conjunto de conhecimentos que permite a utilização de agentes biológicos (organismos, células, organelas, moléculas) para obter bens ou assegurar serviços.

Assim, é Biotecnologia o conjunto de técnicas que permite à Indústria Farmacêutica cultivar microrganismos para produzir os antibióticos que serão comprados na Farmácia. Como é Biotecnologia o saber que permite cultivar células de morango para a obtenção de mudas comerciais. E também é Biotecnologia o processo que permite o tratamento de despejos sanitários pela ação de microorganismos em fossas sépticas. A Biotecnologia abrange diferentes áreas do conhecimento que incluem a ciência básica (Biologia Molecular, Microbiologia, Biologia celular, Genética, Genômica, Embriologia etc.), a ciência aplicada (Técnicas imunológicas, químicas e bioquímicas) e outras tecnologias (Informática, Robótica e Controle de processos). A Engenharia Genética ocupa um lugar de destaque como tecnologia inovadora, seja porque permite substituir métodos tradicionais de produção (Hormônio de crescimento, Insulina), seja porque permite obter produtos inteiramente novos (Organismos transgênicos). A Biotecnologia transforma nossa vida cotidiana. O seu impacto atinge vários setores produtivos, oferecendo novas oportunidades de emprego e inversões. Hoje contamos com plantas resistentes a doenças, plásticos biodegradáveis, detergentes mais eficientes, biocombustíveis, processos industriais e agrícolas menos poluentes, métodos de biorremediação do meio ambiente e centenas de testes diagnósticos e novos medicamentos.
Produtos de origem biotecnológica, por setor

Setores
Bens e serviços
Agricultura
adubo composto, pesticidas, silagem, mudas de plantas ou de árvores, plantas transgênicas, etc
Alimentação
pães, queijos, picles, cerveja, vinho, proteína unicelular, aditivos, etc.
Química
butanol, acetona, glicerol, ácidos, enzimas, metais, etc
Eletrônica
biosensores
Energia
etanol, biogás
Meio Ambiente
recuperação de petróleo, tratamento do lixo, purificação da água
Pecuária
embriões
Saúde
antibióticos, hormônios e outros produtos farmacêuticos, vacinas, reagentes e testes para diagnóstico, etc.


A EVOLUÇÃO DA BIOTECNOLOGIA NO BRASIL.

De uma maneira geral o início da biotecnologia moderna provavelmente é coincidente com a descoberta da estrutura do material genético em 1953. A biotecnologia sensu strictu na área da agricultura inciou-se com o advento das técnicas de DNA recombinante de um lado e de outro o reconhecimento de que plasmídeos do tipo Ti de agrobactérias podem ser manipulados e utilizados para a transferência de genes de um organismo para outro sem as restrições das barreiras naturais.
No Brasil, atividades precursoras às da biotecnologia moderna, iniciaram-se com os trabalhos desenvolvidos na USP sobre os cromossomos gigantes e a biologia molecular de insetos. Trabalhos que podem ser considerados como bases para a futura biotecnologia agrícola foram realizados no Instituto Agronômico de Campinas (IAC) na década de 1930 com o melhoramento genético de café, milho e outras espécies.
Também, nessa época, na Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz" (Esalq), um grupo de geneticistas realizava trabalhos de melhoramento genético de milho e hortaliças com métodos matemáticos aplicados à biologia. Destaca-se o IAC, com os trabalhos que se iniciaram na década de 30 para o controle da tristeza do citros, e o melhoramento de café, citros e outras culturas.
Podemos também destacar o trabalho do Instituto Biológico de São Paulo, com a geração de tecnologia para o combate de pragas do café , citros e algodão e o Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), como o melhoramento genético de grandes culturas.
Porém, as bases da biotecnologia nacional atual foram estabelecidas através de grupos ativos na área de biologia molecular, na metade da década de 70. Destacam-se os esforços realizados na Universidade de Brasília (UnB), com a criação do curso de pós-graduação em biologia molecular em 1974, assim como atividades na mesma área na USP e na Universidade Federal de Rio de Janeiro (UFRJ).
O envolvimento da Embrapa com a biotecnologia agropecuária começou em 1982 com a criação do grupo da área de Biologia Molecular no Cenargen, oficialmente convertido em um centro de biotecnologia em 1986. Desde os estudos iniciais de expressão de genes em plantas e manipulação destes para o aumento da qualidade nutricional de leguminosas, várias tecnologias têm sido geradas, com obtenção de plantas resistentes a herbicidas e viroses. A Embrapa, juntamente com algumas universidades, como a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e USP, têm avançado em clonagem e engenharia genética de animais.
Nos últimos dez anos a comunidade científica brasileira desenvolveu uma respeitável capacidade de manipulação das novas ferramentas da biotecnologia, tais como a tecnologia do DNA recombinante e as pesquisas genômicas e proteômicas. O Projeto Genoma Brasileiro ganhou notoriedade com o sequenciamento da bactéria Xyllela fastidiosa, causadora da doença do amarelinho em cítricos. O Brasil tem hoje um corpo técnico altamente competente em todas as áreas envolvidas na geração de biotecnologias agropecuária, contando em 2003 com mais de 8 mil pesquisadores, distribuídos em mais de 2 mil grupos de pesquisa.

FONTE: http://www.agronline.com.br/agronoticias/noticia.php?id=649
Investimentos da Biotecnologia no Ceará.
CEARÁ
ganhará quatro projetos

Os empreendimentos englobam as áreas de biotecnologia, a criação de um pólo de autopeças no Ceará e de Centros de Serviço de Apoio Tecnológico (Censat´s), além do Programa de Empresas de Base Tecnológica.

Em 2001, havia no país 150 incubadoras

Após mais de dois anos de espera, o Fórum de Tecnologia do Ceará reacende a esperança de ver o gover-
no estadual retirar da gaveta quatro projetos, frutos de diversas discussões entre empresas e universidades no âmbito do fórum. Ressuscitados em reunião realizada em julho entre o Comitê Gestor do Fórum de Tecnologia e o secretário de Ciência e Tecnologia, José Joaquim Cysne Neto, já se encontram em estudo de viabilidade para posterior captação de recursos estaduais, federais e junto aos fundos setoriais.
Os quatro projetos englobam as áreas de biotecnologia, a criação de um pólo de autopeças no Ceará e de Centros de Serviço de Apoio Tecnológico (Censat´s), além do Programa de Empresas de Base Tecnológica. A instalação de um programa de biotecnologia no Ceará é, segundo Vera Ilka Meireles Sales, superintendente do Instituto Euvaldo Lodi do Ceará (IEL-CE), uma resposta ao grande potencial detectado no Estado pela Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Funcap) e lideranças empresariais.
Hoje, o Ceará possui um expressivo número de pesquisadores especialistas composto de mais de 90 doutores e vários mestres em diversas áreas da biotecnologia, com experiência internacional, atuando não só nas cinco universidades, como em um núcleo de tecnologia do Estado, dois centros de pesquisa da Embrapa e um centro de estudos de piscicultura do Dnocs.
O Programa de Biotecnologia do Estado do Ceará prevê a criação de uma rede compartilhada de laboratórios especializados, responsáveis pelo desenvolvimento científico e tecnológico da biotecnologia no Estado, para conseqüente suporte às empresas de um futuro pólo de biotecnologia. “A idéia é promover uma mudança do perfil dos setores de produção agropecuária, industrial e de serviços, absorvendo mão-de-obra qualificada e produzindo empregos no campo”, afirma Vera Ilka.
Os Centros de Serviço de Apoio Tecnológico (Censat´s) serão instituições de fomento à maior participação das pequenas empresas no processo de desenvolvimento econômico decorrente da implantação de novas indústrias. Os centros servirão como incubadoras de novas empresas, gerando emprego e renda para pequenos negócios que giram na órbita das grandes indústrias atraídas para o Ceará.
O projeto de estímulo à criação de empresas de base tecnológica objetiva incentivar sua instalação. Empresa de base tecnológica é aquela que fundamenta a atividade produtiva no desenvolvimento de novos produtos ou processos baseados na aplicação sistemática de conhecimentos científicos e tecnológicos e na utilização de técnicas consideradas inovadoras ou pioneiras.
As empresas de base tecnológica são consideradas extremamente competitivas. Em 2001 (segundo dados da Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos de Tecnologias Avançadas – Anprotec), existiam 150 incubadoras em todo o país (somente três no Ceará), com 1.030 empresas residentes gerando 6.100 empregos.
 
Fonte: http://www.fiec.org.br/publicacoes/jornalfiec/edicoes/0702/default.asp?URL=5
Cronologia da Biotecnologia –  Principais datas:

1590 - Invenção do microscópio por Janssen.

1663 - Primeira descrição de uma célula por Hooke.

1675 - Descoberta de bactérias por Leeuwenhoek.

1830 - Descoberta das proteínas.

1855 - Descoberta da bactéria Escherichia coli (E. coli). Esta bactéria virá a ser, mais tarde, uma ferramenta extremamente de I&D.

1869 - Descoberta do ADN por Miescher.

1902 - O termo "imunologia" é utilizado pela primeira vez.

1906 - Introdução do termo "genética".

1911 - Descoberta, por Rous, do primeiro vírus capaz de causar cancro.

1919 - A palavra "biotecnologia" é utilizada pela primeira vez por um engenheiro agrónomo, na Hungria.

1928 - Descoberta da penicilina por Fleming.

1938 - Introdução da expressão "biologia molecular".

1953 - A revista Nature publica o trabalho de James Watson e Francis Crick, que descreve a estrutura do ADN. Este evento marca o início da era moderna da Genética.

1966 - Decifração do código genético, demonstrando que cada um dos 20 aminoácidos existentes é determinado pela sequência de três bases de nucleótidos.

1973 - Stanley Cohen e Herbert Boyer, da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos da América, utilizam enzimas de restrição e ligases para cortar e reunir o ADN. Em seguida, conseguem reproduzir o novo ADN em bactérias, dando assim início à Engenharia Genética.

1975 - Conferência de Asilomar na Califórnia, destinada a discutir os riscos associados à Engenharia Genética.

1977 - Expressão pela primeira vez de um gene humano numa bactéria.

1980 - Atribuição da patente a Cohen e Boyer, nos EUA, pela clonagem de genes.

1982 - Aprovação, nos EUA, pela Food and Drug Administration (FDA) da insulina recombinante para o tratamento da diabetes.

1983 - Estabelecimento da técnica de Reacção em Cadeia da Polimerase (PCR).

1984 - Desenvolvimento da técnica de impressão digital do ADN (DNA fingerprint)

1986 - Aprovação pela FDA do interferão alfa (Intron A) para o tratamento de uma forma rara de leucemia.

1987 - Aprovação pela FDA do produto Activase para o tratamento de ataques cardíacos.

1988 - O Congresso americano decide providenciar fundos para o Projecto do Genoma Humano.

1989 - Aprovação pela FDA do produto Epogen para o tratamento da anemia causada por doença renal.

1990 - O primeiro tratamento de terapia genética aprovado pelo governo federal norte-americano é realizado com êxito numa menina de 4 anos de idade que sofria de uma deficiência imunológica.

1990 - Criação da primeira vaca leiteira transgénica, utilizada para produzir proteínas do leite humano destinadas a serem incorporadas em fórmulas infantis.

1993 - A FDA declara que alimentos obtidos por Engenharia Genética não são inerentemente perigosos e não necessitam de regulamentação específica.

1994 - Aprovação pela FDA do tomate FLAVRSAVR. Este evento representa a primeira aprovação pela FDA do primeiro alimento completo obtido por Engenharia Genética.

1997 - Cientistas escoceses anunciam a clonagem de uma ovelha chamada Dolly, utilizando o ADN de células de ovelha adulta.